vela de cruzeiro

sailing

               ...vai quem já nada teme, vai o Homem do leme...

Esta página destina-se a divulgar os passeios e viagens do GINDUNGO, um Dufour 36 Classic, de outros barcos Amigos e demais actividades ligadas à Vela de Cruzeiro e ao Mar.

                                             Citação

    Navegar à vela é amar o Mar, e amar o Mar é viver ao seu ritmo...

                                                                                                                Bernard Moitissier

                                    O Caminho de Santiago 

 

 

"If You were a sailboat" de Katie Melua, provavelmente a mais bela canção do mundo, arrancou-me com violência dos braços de Morfeu que pouco antes me tinha acolhido. Eram cinco e meia da manhã. Levantei-me e preparei-me para o que iria ser o dia da primeira etapa na minha peregrinação a pé desde Ponte de Lima a Santiago de Compostela. Quem me conhece sabe da minha devoção a este Santo. Há muitos anos que visito a Catedral com regularidade, enquanto presidente do GOLDWING CLUBE DE PORTUGAL levei cerca de 50 motas a estacionar em plena Plaza do Obradoiro e, em 2004 (ano Jacobeo), fiz pela primeira vez o Caminho a pé desde Barcelos.

Ao sair de casa olho para o relógio do carro, uma rotina há muito tempo instalada, eram 6.13m. Abro o portão e passa um gato preto. Mau!!! Eu não sou homem de superstições, mas...

Chego a Ponte de Lima por volta das 7.00h na rádio tocava "Empire State of Mind" da Alicia Keys, depois de marcar o meu passaporte com o primeiro carimbo, peguei no meu cajado (feito em cana da India do Olho de Água, pelo meu falecido Amigo Tó-Zé Bulas Cruz, possivelmente a última obra de "artesanato" que fez e que utilizei já na minha primeira Peregrinação), o meu chapéu australiano, também usado em 2004 e meto pés ao caminho. Paisagens deslumbrantes, e uma temperatura muito agradável prenunciava um dia tórrido.

A marcha fêz-se sem incidentes. Atingir São Bento da Porta Aberta por volta das 13.00h foi uma victória. A minha falta de preparação física era evidente, doía-me tudo, até partes do corpo que eu nem sabia que existiam.

O resto do caminho foi um "passeio" já não havia subidas. Apesar disso as dores aumentavam exponencialmente. Cada passo era um verdadeiro suplício. Cheguei a Valença a meio da tarde no limite das minhas forças, mais morto do que vivo. Entrei no carro que havia de me trazer de volta a casa para descansar e curar as mazelas do corpo, as da alma estavam já bem melhores, na rádio tocava "Empire State of Mind".

Oportunamente farei o resto do Caminho até Santiago, a minha vida profissional (e fisica) não me permite fazer tudo de uma vez. Aqui darei conta das experiências vividas.

Dedico esta Peregrinação à minha Família e Amigos, aos conhecidos e também aos outros.

                                                                                                                      2010.06.04

                 O MEU MAR - António Carlos de Oliveira e Silva

 

O meu mar é azul profundo
Sem fundo e sem fim


O meu mar é escuro
Injusto vingativo
Traiçoeiro pernicioso
Dissimulado
Mentiroso


O meu mar é cinzento
Zangado ventado
Espumado revirado
Irritante conflitante


O meu mar é verde
Ondulado calmo
Plano liso alegre
Bonançoso generoso
Amigo
Às vezes triste


O meu mar é meu transtorno
Meu encontro meu desencontro
Minha loucura
Meu desejo meu anseio
Minha paixão minha ilusão
Meu devaneio


O meu mar é meu porto
Meu fado meu caminho
Minha ida e minha volta
Meu ser e meu estar
Meu consolo
Meu dia
O meu mar é minha noite
Solitária agoniada fria


O meu mar é minha casa
Meu sossego
Minha vida minha morte
Meu princípio meu fim
Meu tudo meu nada


O meu mar sou eu
Eu sou ele
Ele é eu

                                  Troféu de Inverno

Com a regata Leixões/Póvoa terminou no passado sábado o Troféu de Inverno de Vela de Cruzeiro organizado pelo CVA e pelo CNP. O GINDUNGO participou com várias tripulações de acordo com os "afazeres" de uns e de outros. Apenas dois estiveram sempre presentes, o Luís Monteiro e este escriba. Aconteceu de tudo; pouco Vento, muito Vento, pouco Mar, muito Mar, avarias, rasgões, lesões etc. etc. Para a história o 3º lugar na classe ANC.

A tripulação da última regata na entrega dos prémios.

                                Troféu Milaneza 2010

 Decorreu no passado fim de semana o Troféu Milaneza para Cruzeiros em ANC e ORC num total de três regatas. Tal como em 2009 o GINDUNGO participou e não se portou mal. Fomos ao pódio. Um honroso 3º lugar na Classe ANC estimula-nos a novas participações.

O dia de sábado não nos correu nada bem, Vento muito forte e alguma vaga fez com que se desencaixasse um vau e, para evitar males maiores (quebra do mastro) resolvemos regressar à marina e reparar a avaria a tempo das regatas de Domingo. A tripulação foi constituída por Luís, Fernando, Ricardo, Zé Pedro, Diogo, Zé Duarte e este que Vos escreve.

O momento alto foi mestria com que o Balão foi içado numa popa rasada que nos proporcionou um adiantamento substancial e uma bela imagem.

De destacar o voluntarismo do nosso Comodoro Fernando Monteiro em subir ao mastro logo que chegámos à marina e que foi secundado pelo sempre disponível Nelson. Em coisa de meia hora ficou tudo resolvido, e como a fome já apertava a tripulação atirou-se ao almoço como só eles sabem fazer, tendo esvaziado o frigorífico de todas as "mines" que eu havia carregado nessa mesma manhã.

No Domingo a tripulação mudou substancialmente, a ausência (por motivos que só eles sabem) dos mais jovens deixou-nos desfalcados para o importante desafio que tinhamos pela frente. Convidámos então o fantástico velejador Manuel Soares que com o seu tradicional entusiasmo se juntou a nós trazendo ainda mais um reforço, a Benedita.

As regatas correram sempre com muita animação e boa disposição (apesar dos berros do Luís). O percurso por um lado e a exigência do timoneiro (MS) por outro obrigaram a tripulação a um trabalho que não estavam habituados; ele eram bordos a toda a hora, ele era iça assimétrico, baixa assimétrico... ao fim já ninguém podia com uma gata pelo rabo. De relevar a excelente prestação da Benedita que controlou superiormente a Vela Grande sózinha durante todo o dia.

Como já vem sendo hábito os resistentes do costume aguentaram até ao fim. Almocinho no CVA (pizzas de vários tipos e sabores) um "binhinho do bô", um prémio bonito (e merecido, digo eu) e ala que se faz tarde que amanhã é dia de "trabuquir" e o corpo começa a dar mostras de poder começar a desintegrar-se a qualquer momento.

                                    Habemus Antonius

Foi hoje, eram 16.15h. Nasceu na antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto " ANTONIUS V" o mais jovem reforço da tripulação (família) GINDUNGO. Nasceu num dia duro; muito Vento, (como um bom velejador gosta), chuva torrencial, granizo e uma trovoada imponente. De vez em quando também o Sol brilhou, esplendoroso. Não há coincidências, isto foi de propósito; Habemus HOMEM. Tudo isto te vai moldar o carácter; serás rijo como o granito da cidade que te viu nascer, rijo como o dia em que nasceste, rijo como um HOMEM DO MAR tem que ser.

 

Chama-se António e é meu sobrinho-neto.

23/02/10